Valor-p na mira da "Science"

Artigo publicado na revista Science vem a se somar ao coro de críticas ao uso indiscriminado do critério estatístico do “valor-p” como determinante em publicações científicas. Assinado por Steven Goodman, da Universidade Stanford, o texto condena a “noção equivocada” de que “a divisa entre uma alegação cientificamente justificada e uma injustificada é definida por se o valor-p cruzou a ‘linha luminosa’ da significância, excluindo-se considerações externas como evidências anteriores, compreensão do mecanismo ou conduta e desenho experimental”.

Referindo-se a um nível de probabilidade – por exemplo, “p < 0,05” – o valor-p aparece rotineiramente em artigos científicos e costuma ser interpretado como a chance de os resultados apresentados terem sido causados por mero acaso, e não por um fenômeno real. Essa interpretação foi atacada, em março deste ano, pela Associação de Estatística dos Estados Unidos (ASA, na sigla em inglês), ao afirmar, em nota que “isoladamente, um valor-p não oferece uma boa medida da evidência a respeito de um modelo ou hipótese”.

No artigo para a Science, Goodman afirma que o estatístico R.A. Fisher (1890-1962), responsável pela introdução do valor-p, defendia seu uso como “uma de diversas ferramentas para auxiliar o processo fluido e indutivo do raciocínio científico – e não como um substituto desse processo. Fisher usava ‘significância’ apenas para indicar que uma observação merecia ser acompanhada”. (Esta e outras notas fazem parte da coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp)

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