20 anos, 10 livros

Meu primeiro livro de contos, Medo, Mistério e Morte, foi lançado há 20 anos, em 1996, que assim como este 2016 era ano de Bienal Internacional do Livro em São Paulo. Publiquei muita coisa desde então, seja em revistas, fanzines ou antologias, no Brasil ou no exterior. Além disso, algumas obras saíram mais de uma vez, em formatos e estruturas diferentes. Mas, fazendo as contas e consolidando tudo, cheguei a um número redondo: foram dez livros em duas décadas, sendo três de divulgação científica, três volumes de contos (Medo Mistério e Morte não entra nessa conta, já que foi absorvido pela antologia mais recente Mistérios do Mal), dois romances de ficção científica (um deles, Nômade, voltado para o público juvenil) e duas novelas de fantasia. A esmagadora maioria desses trabalhos saiu pela Editora Draco nos últimos cinco anos.

O que esses números mostram? A taxa média, elevada, de um livro a cada dois anos poderia levar um observador cínico a dizer que eles confirmam o velho ditado de que quantidade e qualidade são valores antagônicos. A mim, no entanto, trazem alguma tranquilidade -- fazem com que me sinta um pouco menos vagabundo -- e me deixam com menos motivo para reclamar com os editores de que minhas obras "demoram demais para sair". Além de darem a impressão de que talvez haja algo aí a celebrar, a despeito da eterna questão de quem lê essa coisarada toda.

Com isso, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo deste ano será a décima a que compareço como autor, portanto -- mais um número redondo e mais um motivo para celebrar. Na tarde do sábado, dia 3 de setembro, vocês me acham no estande da Draco, onde as novelas de fantasia, o romance de ficção científica Guerra Justa e os três volumes de contos estarão disponíveis. Venham bater papo e participar da festa!

Ah, sim, os livros! Eles são (os de ficção primeiro):



Mistérios do Mal, ao mesmo tempo o primeiro (já que inclui o venerando Medo, Mistério e Morte) e o mais recente.



Tempos de Fúria, o segundo (já que se trata de uma edição revista e ampliada da antologia original publicada em 2005) e também o penúltimo.



Campo Total, com meus contos "perdidos" de ficção científica -- escritos para revistas e fanzines após a primeira edição de Tempos de Fúria ou considerados "pesados" ou "complexos" demais para fazer parte daquela antologia.


Flores do Jardim de Balaur, novela de fantasia que introduz meu único (até o momento) personagem de série, o filósofo Hieron de Zenária. Publicado originalmente nos anos 90, como edição especial do fanzine Juvenatrix, e relançado em 2015 pela Draco.


As Dez Torres de Sangue, novela de fantasia passada no norte da África durante uma versão "pulp-ficcional" do século XVIII (acho que é o XVIII). Minha homenagem aos contos de fantasia histórica de Robert E. Hoaward, o texto foi lançado originalmente como uma edição de bolso em 2001. Relançado pela Draco em 2012.


 Guerra Justa, romance de ficção científica que marcou o início de minha parceria com a Draco, em 2010. Para minha surpresa, foi um livro que encontrou tanto fãs entusiasmados quanto detratores furiosos.



Nômade, aventura espacial juvenil que, se não me transformou na nova sensação das compras escolares, trouxe-me a satisfação de realizar algumas palestras bem legais para adolescentes interessados. Publicado pela editora Autores Associados em 2010, com uma bela capa e fantásticas ilustrações de Renato Alarcão.

E agora, os livros de não-ficção:



O Livro da Astrologia, em papel ou ebook, ambas edições realizadas com as tecnologias de autopublicação da Amazon: por contada crise econômica que o país sofre (e, confesso, pela minha falta de paciência em mendigar atenção e espaço nos grandes grupos editoriais), resolvi lançar este trabalho por conta própria. Não me arrependo. 


Pura Picaretagem, resultado de uma parceria extremamente bem-sucedida com o físico Daniel Bezerra e meu lançamento de maior perfil até agora -- ainda mais por ter saído por uma editora de peso, a LeYa.



O Livro dos Milagres, da Vieira & Lent, meu primeiro livro de não-ficção e divulgação científica, publicado em 2011. Este livro é um fruto direto do seguro-desemprego, já que o escrevi durante os seis meses em que recebi o benefício, após ser cortado do Estadão.

Bem, este é o catálogo completo. O mais inacreditável nisso tudo é que ainda não disse tudo que tenho a dizer: há um romance de ficção científica e outro de terror que eu talvez complete um dia, contos que insistem em não me deixar dormir até que eu os escreva e, claro, os assuntos de que trato comumente neste blog.

Falar sobre minha carreira "de letras" tende a me deixar meio rabugento, basicamente porque sempre me ocorre que, se nenhum dos livros acima jamais tivesse sido publicado, minha vida, para todos os efeitos práticos, seria a mesma: continuaria tendo de pegar o ônibus cedo para ir para o trabalho, contar vinténs de tempos em tempos e, no geral, ser um ilustre desconhecido para a humanidade em geral. Mas, ora bolas, nem tudo na vida são "efeitos práticos". Hoje, ponho a rabugice de lado e me permito uma ponta de orgulho pelos últimos 20 anos. E tento não pensar muito nos próximos...

Lembrando: estarei na Bienal de São Paulo, sábado 3/9, à tarde, para rabiscar qualquer um desses amontoados de papel.

Comentários

  1. Parabéns! E obrigada por leituras tão interessantes!
    Daria

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  2. Muito bom teu trabalho Carlos, sou leitor de ônibus, como moro em uma cidade e dou aula em outra passo pouco mais de 2h do meu dia dentro de um ônibus.
    Para absorver esse tempo ocioso, leio, normalmente leio só no ônibus, o livro é aberto quando sento na poltrona e fechado a hora que vou descer, e só aberto novamente quando regresso ao ônibus.
    Seu livro "contos de medo, misterio e morte" foi um dos poucos que me fizeram chegar em casa e voltar a ler, quando inicia um conto é quase impossível parar de ler até que o mesmo encontre seu fim.
    Muito obrigado pelas obras que me deram ótimos momentos de leitura, abraço.

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