O tombo de Plutão

Dois artigos na edição da última semana da revista Nature exploram explicações para características da Planície Sputnik, uma área gelada que compõe parte do “coração” branco fotografado na superfície de Plutão pela sonda New Horizons. A planície é formada por gelo de nitrogênio, metano e monóxido de carbono, com vários quilômetros de espessura.

Um dos artigos, escrito em parceria por pesquisadores dos EUA e do Japão, nota que Sputnik está alinhada com o eixo que une Plutão a sua maior lua, Caronte, e propõe que essa localização pode ser explicada por um “rolamento” de Plutão – uma mudança de cerca de 60º no eixo do planeta-anão – causado pelo acúmulo da massa de gelo na planície ao longo do tempo. “A Planície Sputnik provavelmente formou-se ao noroeste de sua localização atual e foi carregada com materiais voláteis ao longo de milhões de anos”, diz o artigo.

O segundo trabalho, de autoria de pesquisadores baseados nos Estados Unidos, conclui que a reorientação da Sputnik implica a existência de um oceano sob a superfície de Plutão. Sem um oceano subterrâneo, argumentam os autores, a anomalia gravitacional necessária para “tombar” o planeta, reposicionando a planície, exigiria uma camada de nitrogênio inacreditavelmente espessa, com mais de 40 km.

“Se Plutão contém um oceano líquido gelado (provavelmente com amônia), diversas outras questões se apresentam”, aponta o artigo, incluindo a possibilidade de haver mais oceanos entre os corpos do Cinturão de Kuiper, a região do Sistema Solar localizada para além da órbita de Netuno. (Esta nota faz parte da Coluna Telescópio)

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