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E, apresentando: o Universo

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A Nasa divulgou um mosaico de imagens, feitas pela sonda Wise, cobrindo todo o céu. Em outras palavras, trata-se de uma foto completa do Universo observável -- dentro, claro, do poder de definição da Wise, e em infravermelho, que é a faixa do espectro que a sonda foi construída para cobrir. Acho que clicando na imagem dá para ampliar. Se não, há uma versão completa, com zoom, aqui . De acordo com a nota divulgada pela Nasa, "pequenos objetos móveis", como asteroides e planetas, foram removidos da imagem, para não poluir o efeito geral. A grande faixa brilhante no centro é, como talvez já tenha dado para desconfiar, o plano da Via-Láctea, a galáxia da qual fazemos parte, olhando-se na direção de seu centro. Abaixo, uma versão legendada da imagem (em tamanho original, aqui ): Só para dar uma ideia de escala: tem um pontinho mixuruca marcad perto do canto direito da imagem com a legenda "Thor's Helmet" ("Capacete de Thor"). Trata-se de uma nu...

Needle, à venda. Comigo dentro.

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Saiu, finalmente: está à venda na livraria virtual lulu.com a edição mais recente da revista americana de mistério e suspense Needle , editada por Steve Weddle. Eu compareço com o conto Bad for Business , a respeito de um motel-puteiro que tem como proprietário um investigador da polícia civil. Sórdido? Claro. A revista, afinal, se apresenta como "a magazine of noir", e faz por valer o nome: em sua edição anterior, trouxe um conto de Gil Brewer , cujas histórias sobre crimes motivados por perversões sexuais tornaram-no virtualmente impublicável no fim da vida -- e ele morreu em 1983. A capa da edição com o meu conto é esta aí à esquerda. Só posso dizer que ando tendo sorte com meus capistas ultimamente (meu conto pós-apocalíptico  Antropomaquia  vai sair na coletânea Fantasias Urbanas , que também tem uma capa estonteante). O conto foi escrito diretamente em inglês. Não se trata de minha primeira publicação no mercado americano: já saí, em priscas eras, num número do...

A quem serve a universidade confessional?

Meu mórbido interesse pelas intrusões das hierarquias da fé na esfera pública chamou-me a atenção para manifestação de um bispo, Luiz Gonzaga Bergonzini , a respeito da natureza das Pontifícias Universidades Católicas (PUCs) e dos limites à liberdade de pensamento de seus docentes, num comentário a respeito de posições -- a favor dos direitos reprodutivos da mulher e da eutanásia -- defendidas no blog do jornalista Leonardo Sakamoto , professor da PUC-SP. Basicamente, Bergonzini diz que as PUCs são universidades católicas, estabelecidas e governadas pela Santa Madre, e portanto quem discorda da linha oficial do Vaticano não tem nada que lecionar por lá. O argumento é plausível: uma Universidade Corintiana certamente haveria de fazer restrições a professores com a camisa do Palmeiras, e uma Universidade Tucana dificilmente toleraria um professor de história que defendesse, em sala de aula, que Lula foi o melhor presidente da história do Brasil. Não ajuda nada, também, o fato de Saka...

Para o mundo que eu quero descer!

Olha que domingo legal: João de Deus no Estadão , JJ Benítez na Folha . A entrevista com o autor de Operação Cavalo de Troia tem o pretexto de estar num caderno de entretenimento, onde nada é para se levar muito a sério mesmo (quem ainda se lembra de quando a Ilustrada era um caderno sério de cultura?), mas sofre do título inepto: "Autor que refuta a Bíblia...". Refutar, crianças, é provar de forma cabal que algo está errado. Benítez não faz isso. O que o editor responsável pelo título queria dizer é "Autor que contesta" ou, vá lá, "que polemiza". Fica a dica. (Uma pequena digressão: na entrevista, Benítez diz que os Evangelhos omitem o fato de que Maria não entendia a missão de Jesus. Ele está errado: em Marcos, fica bem claro que a família de Jesus achava que o Filho do Homem estava doidão e precisava ser detido . Mc 3:31: " Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: "Ele está fora de si." "). O caso do Estad...

Jesus numa tortilha

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A imagem vem do blog de Jerry Coyne , que por sua vez diz tê-la encontrado no Facebook. De acordo com o relato, ela apareceu numa tortilha assada, significativamente, na Quarta-Feira de Cinzas. Eu confesso que não vejo Jesus aí -- mas, talvez, um dos fantasmas malignos do Pac-Man: O que dá margem a uma série de especulações teológicas da qual pouparei meus leitores, para a eterna gratidão de todos vocês.

Meu problema com a Campanha da Fraternidade

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Eu não ia escrever nada a respeito, juro, mas depois desta entrevista do arcebispo Scherer publicada na Folha de hoje e, numa provocação transversal, das declarações do principal líder católico britânico reproduzidas no Telegraph ,  sou obrigado a manifestar meu temor, minha apreensão, meu senso geral de mau agouro -- a síntese de terror, repugnância e angústia que os anglófonos chamam de dread -- diante do tema da Campanha da Fraternidade da CNBB deste ano, “ Fraternidade e Saúde Pública ”, com o mote “Que a saúde se difunda sobre a terra” .   Minha intenção era não escrever nada a respeito porque, ora bolas, quem pode ser contra uma campanha pelo aperfeiçoamento da saúde pública? Críticas construtivas ao sistema são sempre bem-vindas, e dada a capacidade de mobilização que a Igreja Católica ainda tem -- conseguiram até cavar o entrevistão de segunda da FSP , certo? --, a impressão geral é a de que uma força poderosa se pôs a serviço de uma causa nobre. Então, recl...

'Mind the Gap': da teologia à mitologia

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"Mind the gap" é uma já folclórica expressão usada no metrô londrino, significando "cuidado com o vão" -- no caso, o vão entre a plataforma e o trem. Turistas que visitam a capital britânica têm à disposição uma infinidade de produtos com a frase, incluindo canecas, camisetas e moletons. Mas o gap  (ou vão) desta postagem é de outro tipo: um que assoma, como uma espécie de abismo no horizonte distante, em toda discussão sobre teísmo e ateísmo. É o gap entre filosofia e mitologia. Suponho que todo mundo que já tentou acompanhar uma conversa civilizada -- sim, elas existem -- entre teístas e ateus acabou vendo a história empacar logo no primeiro item: o Universo requer uma causa? O ateu diz que não, o teísta diz que sim, não há acordo e o debate para por aí mesmo, ou então começa girar em círculos. O apelo à intuição dá alguma vantagem ao teísta nesse ponto, mas uma visão um pouco mais sofisticada da questão basta para mostrar que não é válido elevar um dado...