Postagens

Meteoro!

Imagem
Buraco aberto por meteorito em lago congelado. Foto de Andrey Orlov Postagem atualizada  na manhã e sábado, 16/2, com informações da Nasa ! O que se sabe até o momento (via RT e Astronomy Now ): um meteoro, com massa estimada, antes de sua entrada na atmosfera terrestre, em 50  9.000 toneladas, explodiu sobre o sul da Rússia, a leste dos Montes Urais, por volta das 9h20 da manhã, hora local (1h20 da madrugada, no Brasil). Pelo menos três fragmentos já foram recuperados, dois na vizinhança do Lago Chebarkul, perto da cidade de Chelyabinsk, a 1.500 km de Moscou. O terceiro fragmento estava a 80 km dali, na cidade de Zlatoust. As ondas de choque e os fragmentos menores produzidos pela passagem do meteoro causaram danos que, por sua vez, levaram mais de 900  1.000 pessoa a procurar serviços de saúde. Pelo menos duas pessoas estariam em estado grave. De acordo com a prefeitura de Chelyabisnk, uma cidade de 1,1 milhão de habitantes, citada pelo s...

Tudo é genético. E isso é mais complicado do que você imagina

Creio que todo mundo já viu uma das inúmeras fotos que circulam pela internet, de tartarugas que cresceram dentro de anéis de plástico e ficaram com as carapaças deformadas. Agora, responsa rápido: a deformidade  dessas pobres tartarugas tem causa genética ou ambiental? A carapaça da tartaruga é, obviamente, um fenômeno genético. Genes de tartaruga levam ao surgimento de carapaças de tartaruga, afinal. Só que a deformidade não existiria se não fosse o anel de plástico, que é um fator ambiental. Mas a deformidade também não seria o que é se não fossem os genes: são eles que ditam como o desenvolvimento do animal vai responder à pressão exercida pelo plástico. Com genes diferentes, a tartaruga poderia arrebentar o anel, ou crescer de um modo ainda mais rococó. Enfim, a deformidade da tartaruga é genética ou ambiental? Um brinde para o cavalheiro que pensou na palavra interação , ali ao fundo. Notemos, porém, que tanto a genética quanto o ambiente são determinantes para o resultad...

Bento XVI: o lado B

Imagem
Uma prova da forte influência católica na sociedade global -- e, por tabela, na mídia -- é o fato de Joseph Ratzinger estar deixando o pontificado como "um grande teólogo" e não como um "um facilitador e acobertador de crimes sexuais contra crianças". Nada, é claro, impede que ele seja as duas coisas ao mesmo tempo, e ambos os títulos dependem, até certo ponto, de uma série de juízos de valor,  mas a escolha de ênfase pelo noticiário é sintomática. A justificativa mais ampla para o menos lisonjeiro dos títulos veio a público há quase dois anos, quando advogados ligados à causa dos direitos humanos apresentaram uma denúncia contra Bento XVI no Tribunal Penal  Internacional, (TPI), em Haia. E em 2010, o jurista britânico Geoffrey Robertson já havia publicado o livro The Case of the Pope: Vatican Accountability for Human Rights Abuse , onde argumenta que documentos ratificados por Ratzinger enquanto cardeal, responsável pela Congregação da Doutrina da Fé, a antiga...

Não é, mas deveria ser

Imagem
É uma pena que a maior parte do conteúdo da revista Free Inquiry não seja oferecido online. Isso é até parte de uma estratégia de marketing -- "o melhor conteúdo sobre humanismo e ateísmo não está na internet!" , diz o slogan da publicação -- mas aí o pessoal perde coisas como o artigo publicado no fim do ano passado pela jornalista Katrina Voss, chamado Homosexuality Is Not a Choice, But It Should Be : ou, "Homossexualidade Não É Uma Escolha, Mas Deveria Ser".  O argumento é o de que o movimento gay americano (e, por tabela, no resto do mundo) acabou caindo numa armadilha dos conservadores religiosos ao usar o dado científico, de que a orientação sexual tem base biológica, para sustentar a reivindicação de direitos civis iguais aos dos heterossexuais e o fim do preconceito. A ideia geral parece ser a de que, se convencermos os fundamentalistas de que ser gay é um fato biológico, como ser canhoto ou ter olhos azuis, e não algo sob a tutela do livre arbítrio, en...

Grande Cthulhu, 85

Imagem
Um ser dotado de poder ilimitado, morto e sepultado por seus inimigos, promete que um dia voltará à Terra. Mais: que seu retorno precipitará o fim do mundo e, em meio a uma série de pragas e sofrimentos, criará uma nova realidade, onde o ser onipotente reinará absoluto e onde seus adoradores fiéis, principalmente os que sofreram agruras e perseguições em seu nome, terão uma vida eterna de delícias. Já seus adversários e os que não acreditaram nele serão condenados a um sofrimento indescritível e infindável. Responda rápido: estou falando de Jesus Cristo ou do Grande Cthulhu? A vida e o trabalho do escritor americano H(oward) P(hilips) Lovecraft, criador do supracitado Cthulhu – monstro alienígena que dá nome ao conto O Chamado de Cthulhu , cuja publicação original, no pulp  Weird Tales , completa 85 anos neste mês – , foram analisados sob as mais diversas chaves. Há desde a psicanalítica (onde o desapreço do autor por frutos do mar, explícito na concepção de monstros sob a ...

Trânsito mata mais que a guerra do Iraque... e daí?

Imagem
Mortes no trânsito per capita, via Wikipedia . Escala vai de 'menos de 5' a 'mais de 40' Comparar a estatística de mortes causadas por acidentes de trânsito com o número de vidas perdidas em desastres de magnitudes várias já virou uma espécie de clichê: em Goldfinger , quando James Bond confronta o vilão com a monstruosidade que seria matar toda a população de uma pequena cidade apenas para abrir caminho para o saque de Fort Knox, o gênio do mal dá de ombros e diz que os motoristas americanos matam mais gente do que isso em um ano. Ao contrário do insensível Auric Goldfinger, no entanto, a maioria das pessoas que buscam traçar paralelos entre a quantidade de vidas perdidas no trânsito e, por exemplo, em guerras, não pretende apresentar seus dados como uma forma de minimizar a tragédia, mas bem o oposto: mostrar como a imprudência ao volante pode provocar, num país em estado de paz, uma catástrofe comparável à  que atinge uma nação conflagrada. Nos últimos anos, d...

Cérebro virtual, numa garrafa idem

Imagem
A União Europeia decidiu aplicar a bagatela de 1 bilhão de euros (arredondando para cima, 3 bilhões de reais) no Projeto Cérebro Humano , uma iniciativa de pesquisa com vários objetivos interligados. Entre eles, o de entender o funcionamento do cérebro bem o suficiente para que possamos derivar novos tipos de tecnologia daí -- "computação neuromórfica" é o nome -- e, no front da medicina, há a meta de integrar tudo o que sabemos sobre neurologia e doenças do sistema nervoso. Tudo isso é muito importante e muito legal, mas uma das metas tem uma importância filosófica que não deve ser subestimada: a plataforma de simulação do cérebro . Citando a brochura informativa do projeto: "A plataforma deve tornar possível criar e simular modelos do cérebro em diferentes níveis de detalhe, adequados a diferentes questões científicas (...) Ferramentas disponibilizadas pela plataforma gerarão os dados necessários para pesquisa em medicina (modelos de doenças e efeitos de drogas)...