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Racionalidade é dever moral?

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Ética da Crença é o título de um ensaio escrito no século 19 pelo filósofo e matemático britânico  William Clifford , em que ele afirma que "é errado, sempre e em qualquer lugar, acreditar em alguma coisa com base em evidência insuficiente". Um dos pontos centrais do argumento de Clifford era a parábola (por assim dizer) do barqueiro devoto: um homem que acredita, com tamanha fé, que Deus protege seu barco que se recusa a realizar os trabalhos mínimos de manutenção (afinal, o que é o talento de um mero barqueiro diante da mão protetora da Onipotência?). Mas um belo dia o barco afunda, matando todos a bordo. O senso-comum  diria que a culpa foi da negligência do barqueiro, mas Clifford insiste que a culpa foi da crença : o barqueiro acreditava, do fundo do coração, que Deus protegia seu barco, e sua negligência foia penas uma consequência lógica disso. Ele só foi negligente porque foi coerente com sua fé. A tragédia foi o fim inevitável de uma cadeia lógica iniciada pela ...

Congelado para o futuro: round 2016

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"Criônica" é o nome dado à tecnologia/crença/negócio de congelar corpos humanos inteiros, ou pelo menos o cérebro, com vistas à ressuscitação futura. Como dispositivo de enredo em obras de ficção, o tema já foi usado em praticamente todo tipo de história, mas também há empresas que oferecem serviços criônicos atuando no mundo real (dado o estado atual da tecnologia e as regras de proteção ao consumidor, elas não podem prometer ressuscitação, assim, com todas as letras, mas apenas vender o "serviço de custódia" do cadáver congelado). Já tratei desse assunto em outras oportunidades, mas dois artigos publicados no fim da semana passada me convenceram a voltar a ele. O primeiro é do site The Engineer , sobre o caso de uma menina britânica de 14 anos que ganhou, na Justiça, o direito de ser congelada após a morte. De acordo com a notícia (que, por algum motivo, escapou aos ávidos caçadores de sensacionalismo da mídia nacional), "o veredicto veio pouco antes de...

O tombo de Plutão

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Dois artigos na edição da última semana da revista Nature exploram explicações para características da Planície Sputnik, uma área gelada que compõe parte do “coração” branco fotografado na superfície de Plutão pela sonda New Horizons. A planície é formada por gelo de nitrogênio, metano e monóxido de carbono, com vários quilômetros de espessura. Um dos artigos, escrito em parceria por pesquisadores dos EUA e do Japão, nota que Sputnik está alinhada com o eixo que une Plutão a sua maior lua, Caronte, e propõe que essa localização pode ser explicada por um “rolamento” de Plutão – uma mudança de cerca de 60º no eixo do planeta-anão – causado pelo acúmulo da massa de gelo na planície ao longo do tempo. “A Planície Sputnik provavelmente formou-se ao noroeste de sua localização atual e foi carregada com materiais voláteis ao longo de milhões de anos”, diz o artigo. O segundo trabalho, de autoria de pesquisadores baseados nos Estados Unidos, conclui que a reorientação da Sputnik implica...

Trump e a Nasa

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O presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, deve redirecionar os esforços da Nasa, enfatizando a exploração do espaço profundo e reduzindo o prestígio dos setores da agência voltados para o monitoramento do clima terrestre, dizem fontes da mídia especializada. As missões voltadas para ciências climáticas e geociências deverão ser transferidas para outro órgão federal, a Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA). Durante o governo Obama, a divisão de Ciências da Terra da Nasa viu seu orçamento crescer, e lançou uma série de satélites para o acompanhamento de fenômenos como a elevação do nível dos mares. (Esta nota faz parte da Coluna Telescópio)

Astrologia, Atlântida e as pirâmides do Egito

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D. Pedro II no Egito, diante da Esfinge Dia desses, fazendo uma leitura meio diagonal da linha do tempo do Facebook, encontrei uma referência meio que de segunda mão a uma palestra sobre "o significado astrológico das pirâmides do Egito". Isso me deixou intrigado: a astrologia, inventada na Mesopotâmia, só chegou ao Egito após a conquista da Dádiva do Nilo por Alexandre, lá por volta de 332 AEC. O mais famoso monumento egípcio s retratar temas astrológicos, o zodíaco de Dendera (hoje preservado no Louvre) data do primeiro século antes da Era Comum. Já os monumentos de Gizé -- as três pirâmides principais e a Esfinge -- datam de cerca de 2.500 AEC. Seria curioso saber como a astrologia poderia ter influenciado a construção de monumentos egípcios mais de 2 mil anos antes de o povo egípcio ter contato com ela. No tempo das pirâmides, os egípcios sequer tinham constelações compatíveis com as do tradicional zodíaco astrológico. Claro, isso não quer dizer que não haja inf...

Uma mentira de pernas longas

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Imagine uma fraude jornalística tão descarada que seu autor preferiu assinar o texto como "S. Ellmore", um trocadilho farsesco da expressão "sell more" -- "vende mais" -- no caso, mais exemplares do jornal onde a mentira foi publicada. Imagine que essa fraude descreve uma violação tão cabal das leis da física e do mero bom senso que todos os especialistas no assunto são unânimes em declarar que o evento relatado é impossível. Imagine, ainda, que o próprio autor da fraude acabe vindo a público parta oferecer um desmentido. Imagine agora que, a despeito disso tudo, o acontecimento descrito na fraude siga sendo considerado real por décadas, por multidões, por filósofos e cientistas, por pesquisadores e historiadores, que o desmentido que deveria ter posto fim a tudo seja desacreditado e que setores e líderes do povo citado -- falsamente -- como criador do evento -- inexistente -- não só passem a reivindicar a proeza, mas também a tratá-la como parte da es...

Doutor Estranho

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Meu herói favorito da Marvel sempre foi o Doutor Estranho. Se não por outro motivo, o Mestre das Artes Místicas é um cara que tem uma imensa biblioteca, que tira seus poderes, em última instância, de livros e que valoriza o conhecimento acima de tudo, como se vê no quadrinho abaixo, desenhado por Barry Smith (roteiro de Stan Lee) -- e que vem, aliás, da primeira história do Dr. Estranho que li, publicada no Brasil pera Editora Abril quando a maioria dos leitores desta postagem ainda não tinha nascido: Alguém poderia imaginar que o fato de Stephen Strange ser um médico que abandonou a ciência para se dedicar ao esoterismo e à magia acabaria me fazendo sentir alguma antipatia por ele, mas esse não é o caso: o fato é que no Universo Marvel a magia e o esoterismo funcionam , o que faz da escolha de carreira do Dr. Estranho algo perfeitamente aceitável e racional. Como se diz por aí, medicina alternativa que funciona não é alternativa, é medicina. Gostei bastante do filme recente...