Instalado o mais ambicioso instrumento da ISS


A Nasa informa que o Espectrômetro Alfa-Magnético (AMS, para os íntimos -- a na foto acima, aparece dentro do compartimento de carga do Endeavour) foi instalado com sucesso na Estação Espacial Internacional. O AMS é principal a razão -- para além das dificuldades técnicas que sempre atrapalham os lançamentos de ônibus espaciais -- pela qual a frota de naves tripuladas da Nasa não se aposentou de vez no ano passado.

Quando o presidente Obama decidiu que a ISS ficaria no espaço até 2020, pelo menos (em vez de ser "desorbitada" em 2015, como queria a adminsitração Bush) os cientistas pediram pelamordedeus  para que o voo final do Endevaour fosse postergado até que o AMS sofresse os ajustes necessários para aproveitar a oportunidade de cinco anos a mais no espaço, e fosse posto em condições de trabalhar por uma década.

O AMS -- na verdade, AMS-2; o AMS-1 voou no compartimento de carga do Discovery em 1998 -- usará um intenso campo magnético para desviar a trajetória de partículas eletricamente carregadas, trazidas pelos raios cósmicos, e fazê-las passar por cinco diferentes detectores.

Além de ser capaz de identificar partículas de antimatéria, o AMS levantará dados que serão usados para testar teorias a respeito da natureza da matéria escura. Esse material misterioso compõe 83% de toda a matéria do Universo, ou 23% de todo o balanço de matéria e energia do cosmo (átomos ordinários como os que fazem você e eu são 17% da matéria e 4% do balanço geral de matéria e energia).

Cientistas citados pela agência de notícias Reuters esperam que o AMS "transforme nossa compreensão do Universo, da mesma forma que o Hubble redefiniu as fronteiras da astronomia". De fato, as questões que o AMS ajudará a responder estão na confluência da astronomia com a cosmologia e a física de partículas. Esse é um experimento relevante tanto para a compreensão do infinitamente grande quanto do inestimavelmente pequeno.

Ah, sim: o AMS é fruto de uma colaboração de 60 institutos de pesquisa de 16 países (o Brasil não consta da lista, mas Portugal, sim), e custou US$ 2 bilhões. Mal comparando, é mais ou menos o mesmo preço da Usina Hidrelétrica de Estreito, no Maranhão.

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