Mais um robô deve partir para Marte neste mês

Eis uma coisa que me dá saudade de editar ciência num grande veículo de comunicação: estou perdendo a oportunidade de ter os recursos para produzir um material fantástico a respeito do lançamento do robô Curiosity a Marte. A janela para a partida da missão se abre neste mês.

(Se bem que, dependendo do veículo, eu não ia ter tempo de elaborar nada porque a chefia ia querer fotos de piranhas hemafroditas ou galinhas de duas cabeças, além de uma "repercussão com especialistas" da mais recente fórmula maluca da BBC.)

Para quem andou hibernando nos últimos anos: o Curiosity, também conhecido como Mars Science Laboratory, é um robô do tamanho aproximado de um jipe, dotado de um gerador nuclear de eletricidade (ele é pesado e complexo demais para rodar apenas com energia solar), tem uma arma laser  para vaporizar rochas (e depois analisar os gases produzidos) e, como se tudo isso já não fosse legal o bastante, vai pousar em Marte usando um guindaste voador -- ilustrado abaixo:



O objetivo científico geral da missão é determinar a habitabilidade de Marte -- se o planeta já foi capaz, ou ainda é, de suportar vida. Para fazer essa determinação, o Curiosity vai gerar dados que incluem uma lista, a completa possível, dos materiais orgânicos existentes no planeta; um inventário dos elementos químicos presentes em Marte e que, pelo que sabemos, entram na composição dos seres vivos; e  identificar características que possam representem sinais de atividade biológica.

A duração prevista da missão é um ano marciano completo, ou 687 dias "terrestres". O período de trânsito até marte é de nove meses. Haverá uma dose razoável de suspense envolvida, também: desde a década de 60, nada menos que uma dúzia de missões enviadas ao planeta vermelho por EUA, Japão, Rússia ou Agência Espacial Europeia fracassaram, ou não chegando ao destino, ou sofrendo algum tipo de desastre na hora do pouso ou da ativação.

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