Moral ambígua para a inteligência artificial

Carros autônomos, controlados por algoritmos, vêm sendo desenvolvidos há vários anos, e já foram testados em condições reais diversas vezes. No entanto, seu uso em larga escala requer a definição de algumas prioridades morais – por exemplo, caso um acidente seja inevitável, a inteligência do carro deve adotar a conduta que maximiza a segurança dos passageiros, ou a dos pedestres ao redor?

Na revista Science, pesquisadores da França e dos Estados Unidos revelam o resultado contraditório de uma série de pesquisas de opinião pública sobre o tema: a maioria das pessoas prefere que os outros comprem carros programados para poupar pedestres, em prejuízo dos passageiros – mas a maioria também diz que preferiria andar num carro que preserva a vida dos passageiros a qualquer custo.

Se ambos os tipos de veículo entrarem no mercado, especulam os autores, o modelo “altruísta” provavelmente será eliminado pela competição “egoísta”. Já uma regulamentação que obrigue todos os carros a serem “altruístas” poderá levar ao fracasso do produto.

O artigo ainda lembra que dilemas morais mais complexos – por exemplo, onde o resultado final da ação do veículo no bem-estar humano não é claramente previsível – terão de ter soluções discutidas e pactuadas antes que esses carros cheguem ao grande público. “À medida que nos preparamos para dotar milhões de veículos de autonomia, uma consideração séria da moralidade algorítmica nunca foi mais urgente”, escrevem. (Esta nota é parte da coluna Telescópio do Jornal da Unicamp)

Comentários

  1. Tema muito interessante para reflexão e dissertação. Li esta matéria relembrando de quando li "Eu, robô" e fiquei fascinado pelo conceito de robopsicologia apresentado por Asimov.

    Nesta obra, muitos problemas de lógica e decisão apresentados eram resolvidos através das diretrizes estabelecidas pelas Leis da Robótica, processadas pelo cérebro positrônico robótico em ordem e urgência da situação específica.

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