"Professor Fraude", num conselho editorial perto de você

Um grupo de pesquisadores poloneses apresenta, em artigo de opinião publicado na Nature, o resultado de uma “operação secreta” realizada para testar a idoneidade de centenas de publicações que se apresentam como periódicos científicos com revisão pelos pares, e põe em evidência a proliferação de periódicos predatórios, mais preocupados em recolher taxas de publicação dos autores do que em apresentar ciência de qualidade.

Depois de descrever como estavam assustados com os convites, quase diários, que recebiam para integrar os conselhos editoriais de periódicos obscuros, os psicólogos Piotr Sorokowski, Agnieszka Sorokowska e Katarzyna Pisanski, juntamente com o filósofo Emanuel Kulczycki, relatam como criaram uma cientista fictícia – Anna O. Szust, ou “Anna Fraude”, em polonês –, com um currículo fraco e cheio de inconsistências. Em nome dessa “Professora Fraude”, enviaram e-mails a 360 periódicos, oferecendo os serviços dela como editora.

“O perfil era tristemente inadequado”, explicam os autores. “O ‘trabalho’ de Szust nunca havia sido indexado na Web of Science ou Scopus, e não havia nenhuma citação em seu nome”. A “produção científica” de Anna se resumia a capítulos de livros inexistentes lançados por editoras fictícias. Leia mais sobre esse experimento no Telescópio.

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