Vela solar na Nasa ressuscita e liga para casa

Esta história começa com um caramuru dando chabu: em 6 de dezembro, a Nasa ordenou a um satélite em órbita terrestre que abrisse uma comporta e ejetasse uma vela solar, a Nanosail-D. Tudo parecia ter dado certo, mas a vela não deu sinal de vida (ela contém um transmissor de rádio que em tese deveria ser captado por radioamardores na frequência de 437,270 MHz -- mais detalhes aqui.)

Agora, no entanto, a Nasa avisa que a vela está viva e passa bem. Aparentemente, ela se ejetou sozinha em algum momento desta semana. A ejeção foi confirmada ontem, quarta-feira.

A Nanosail-D é realmente "nano", com uma área de 10 metros quadrados. A vela solar lançada ao espaço pelo Japão no ano passado, a Ikaros, em comparação tem mais de 200 m².

Velas solares obtêm propulsão a partir do impacto das partículas de luz do Sol, os fótons. Com suas superfícies espelhadas, conseguem energia para se mover duas vezes a cada impacto -- uma quando o fóton as atinge, e outra quando ele é ejetado (refletido) de volta ao espaço.


Velas solares são uma alternativa interessante para propulsão no interior do sistema solar, já que dispensam o transporte de combustível para a realização de manobras. Cada grama que se consegue evitar lançar ao espaço traz uma economia significativa.

Numa nota mais cabotina, não posso deixar de mencionar que  vela de luz é o mecanismo de movimento da nave espacial Nômade, cenário de meu romance de ficção científica do mesmo nome (um útil link para adquiri-lo está, por coincidência, disponível no alto desta página, aliás).

Como a Nômade está em viagem a outra estrela, no entanto, ela depende de um canhão de luz baseado no sistema solar para bombardear suas velas com raios laser. Não se tarta de um plano tão maluco qunato pode parecer: encontrei-o no volume Interestellar Travel and Multi-Generation Starships, que por incrível que pareça é um tratado acadêmico.

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