Nova previsão do apocalipse: maio de 2011

Um pequeno movimento cristão dos Estados Unidos está prevendo o fim do mundo para 21 de maio deste ano. De acordo com a revista Time, o grupo, liderado por Harold Camping, que controla uma rádio evangélica, obteve a data com o uso de um sistema matemático baseado (onde mais?) na Bíblia.

A Time faz a ressalva de que Camping já havia previsto o fim para 1994, o que, até onde se sabe, não aconteceu. Não obstante, a nova previsão atrai seguidores.

Ouvido pelo San Francisco Chronicle, Ted Solomon, de 60 anos, diz estar “aguardando ansiosamente” pela data. Uma questão interessante é o que vai acontecer com o séquito de Camping quando o dia 22 de maio amanhecer sem que os fiéis tenham sido arrebatados para o Paraíso. Se a história serve como exemplo, é possível que o grupo venha até a crescer.

O fenômeno conhecido como “dissonância cognitiva” foi definido pelo psicólogo Leon Festinger há cerca de 60 anos, e consiste num aumento do fervor da fé após uma desconfirmação cabal das crenças do grupo atingido.

 A teoria de Festinger define dissonância como o sofrimento mental produzido quando uma pessoa mantém duas ideias incompatíveis – por exemplo, o profeta está certo e o mundo não acabou. Aspessoas tentam reduzir o sofrimento reinterpretando uma ou ambas as ideias. 

Um ponto essencial para que essa conformação ocorra é o apoio social: é preciso que a reinterpretação seja legitimada pelo maior número possível de pessoas. Isso faz com que grupos sob dissonância adotem uma estratégia agressiva de proselitismo. Novos convertidos são necessários para justificar a ginástica mental em torno da doutrina que, objetivamente, provou-se falsa.

Abaixo, alguns exemplos de previsão de fim do mundo que não se confirmaram, extraídos do website de James Randi:

 Primeiro século dC: Em verdade vos declaro: muitos destes que aqui estão não verão a morte, sem que tenham visto o Filho do Homem voltar na majestade de seu Reino. (Mateus, 16:28)

Setembro de 1186: O astrólogo João de Toledo divulgou panfletos em 1179 anunciando o fim do mundo durante uma conjunção planetária que ocorreria sete anos no futuro.

3 de outubro de 1533, às 8h da manhã: Michael Stifelius calcula a data e a hora exatas do apocalipse a partir do estudo matemático do (claro) Livro do Apocalipse. Quando o mundo não acabou, Stifelius foi açoitado.

1648: O rabino Sabbati Zevi, interpretando a cabala, conclui que é o messias e que o fim do mundo ocorrerá em 1648. Num caso citado por Festinger como exemplo de dissonância cognitiva bem-sucedida, em 1665 Zevi não só ainda tinha seguidores, como o entusiasmo com o retorno a Jerusalém havia de apossado dos judeus de várias importantes cidades da Europa. Aprisionado pelo sultão do Império Turco enquanto tentava guiar seus seguidores para a Terra Santa, Zevi converteu-se ao islã.

1874, 1914, 1975: Datas propostas por diversas lideranças  das Testemunhas de Jeová.

1881, 1936, 1953: Datas calculadas a partir da Grande Pirâmide de Gizé.

1982: Data calculada com base num alinhamento de planetas.

Julho de 1999: Profecia de Nostradamus.



Comentários

  1. O mundo só acabará quando termos a expansão inversa do Universo (tem alguma palavra para a expansão inversa?), não?
    Então t->∞

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  2. Se contar isto para os moradores da região serrana no Rio, dirão que o mês da previsão estava errado.
    De todo o modo, em Maio de 2011 poderemos ver na TV o Joelmir Betting dizendo novamente: "E mais uma vez, o mundo não acabou!"
    Hilário !!

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